Por Rodrigo Nunes Lamounier

O diabetes mellitus (DM) é uma situação muito propícia para o surgimento da raiva. Já ao diagnóstico muitas vezes a pergunta é inevitável: por que eu? Uma condenação? A vida com diabetes pode parecer cheia de ameaças e riscos e a revolta muitas vezes surge como uma autodefesa. A questão diante do problema é não ter raiva de sua própria vida. Quando alguém se sente ameaçado, amedrontado ou frustrado, ódio e angústia são reações normais. Fazer da crise a oportunidade é, de alguma maneira, transformar o ódio no sinal de que algo precisa ser feito. Uma nova atitude. Entender e aceitar o sentimento em relação ao diagnóstico é um passo importante para que se possa usar essa energia no autocuidado.

O diabetes na infância e adolescência.

Naturalmente que o processo de convívio com a doença ocorre ao longo do tempo e esse processo tem que ser respeitado. A criança, por exemplo, na vivência com o diabetes, passa por diversas fases. Ela muitas vezes procura atribuir a causa a pessoas ou acontecimentos, tentando achar uma justificativa para o fato. Medo, desespero, insegurança e revolta são sentimentos que ela relata com muita nitidez.

Um estudo que avaliou a característica de crianças recém-diagnosticadas com diabetes, comparando entre antes e após a doença, mostrou que na visão delas, o sentimento mais forte foi o de falta de liberdade após o diagnóstico: de comer o que tem vontade, de sair de casa sem ter que se preocupar com a insulina ou sem ter medo de passar mal, de correr e brincar. Perceber que seu corpo não é mais o mesmo. A vivência com o diabetes provoca profunda transformação no seu mundo, necessitando que aprenda a conviver com certas limitações, situações e novas rotinas.

Exigir o conformismo e a aceitação do diagnóstico pode não ser o caminho único, já que cada indivíduo deve ter a possibilidade de escrever a sua relação com a doença e o tratamento, com a sociedade e seus parceiros, especialmente no momento delicado que é a adolescência.

A participação dos pais no acompanhamento tem grande importância, sendo que especialmente a participação do pai parece ter relação direta com o controle glicêmico, medido pela HbA1c, indicando que o pai mais participativo contribui muito para o controle glicêmico do adolescente. Isso porque em geral a mãe já é mais presente na rotina do tratamento do filho.

A revolta com o diabetes e o surgimento de uma nova vidaHá uma concordância no que diz respeito à instabilidade do controle do diabetes na adolescência. Os aspectos emocionais peculiares dificultam o controle e o tratamento nessa fase do desenvolvimento humano. Flutuações amplas e rápidas na glicemia, por diversos motivos, podem adquirir proporções ainda maiores na adolescência – período caracterizado por conflitos relacionados a alterações biopsicossociais, como as mudanças no corpo, quando o jovem perde a identidade de criança e se vê obrigado a buscar uma nova posição sociocultural.

Um aspecto importante do profissional de saúde ao lidar com esses pacientes e suas famílias, é buscar maneiras de normalizar as suas vidas, o máximo possível. Evitando rótulos e sentenças e se colocando ao lado do indivíduo, no mesmo barco, à procura de um horizonte que não seja tomado exclusivamente pelo diabetes.

O emprego de técnicas psicoterápicas de autoconhecimento, autocuidado e de atenção, que ajudem a pessoa a reconhecer seus próprios pensamentos e sentimentos em relação ao diabetes, pode contribuir muito para o processo de aceitação e adaptação à doença, impactando positivamente na HbA1c. É necessário que haja, por parte dos pais e da equipe multiprofissional que o assiste, uma postura aberta para compreender a fase.

A participação do portador de diabetes em grupos educativos, ou de convivência, pode ser de fundamental importância para a aceitação da doença. Além da aquisição de conhecimentos teóricos e práticos acerca do diabetes e seu tratamento, o grupo propicia a troca de experiências individuais entre os membros, que vão internalizando diferentes formas de pensar e sentir.

Apoio mútuo na relação de pais e filhos fomenta segurança e aceitação no que diz respeito ao diabetes e seu tratamento.

Se por um lado a perda do controle no momento de fúria pode ser ruim, por outro, esse incômodo, ou desconforto, pode também servir e ser importante para a construção de uma nova visão do viver.

Rodrigo Nunes Lamounier
Endocrinologista
www.cdbh.com.br

Veja mais no site da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Na sexta-feira (20), estivemos mais uma vez com a endocrinologista da Caroline, Dra. Daniela. Apesar da visível alta gradual que os testes de ponta de dedo vem mostrando, sinal que a “Lua de mel” está chegando ao fim, mantivemos as doses de insulina nos mesmos níveis da última visita, ou seja, 6 unidades de Lantus a noite e a Apidra conforme os valores da glicemia antes das refeições, na relação de uma unidade de Apidra para cobrir 30g/CHO e uma unidade de Apidra para corrigir 100mg/dl de glicose, sempre aplicamos a insulina rápida logo após as refeições para termos certeza da quantidade de carboidratos ingeridos.

Como aqui em Curitiba para manter-mos o benefício de receber a insulina e os insumos para os testes de glicemia temos que realizar, de 3 em 3 meses, os exames de glicemia e hemoglobina glicada vamos fazer o exames na semana que vem e com certeza teremos uma pequena alta na hemoglobina glicada, que no último resultado foi de 6.9%.

Aproveitando a oportunidade, deixo como sugestão a visita a dois blogs muito importantes para as pessoas com diabetes e especialmente para as famílias com crianças diabéticas que são: www.minhafilhadiabetica.wordpress.com e o www.jujubadiabetica.blogspot.com, que merecidamente estão concorrendo ao prêmio TOP BLOG 2011 na categoria SAÚDE.

Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes

Em 2010 foram publicados os dados das novas recomendações para técnicas de aplicação de insulinas, que vale a pena relembrar e praticar, já que muitas informações já são conhecidas, mas pouco aplicadas.

Tais recomendações foram resultado do trabalho conjunto de 127 médicos, enfermeiros, educadores e psicólogos de 27 países, que reuniram todas as publicações na área desde 1980, bem como estudos ainda não publicados.

Observações gerais:

a.  O medo da aplicação de insulina, principalmente em crianças, não deve ser desconsiderado e uma técnica ainda pouco utilizada, e com bons resultados, é a demonstração da auto-aplicação de solução salina/diluente pelo profissional de saúde e depois pelo paciente. Esta técnica também é útil para os pais conhecerem qual a sensação da aplicação pelos filhos, reduzindo assim a ansiedade da aplicação.

b.  O programa de educação para inicio da insulinização deve abordar os tópicos: perfis de ação e conceitos da insulinoterapia; escolha, cuidados e auto-exame dos locais de aplicação; técnicas apropriadas de aplicação (rodízios, ângulo de aplicação e uso da prega cutânea); escolha e descarte de insumos.

Recomendações para aplicação:

1. A recomendação para a limpeza do local de aplicação deve ser seguida para locais que não estejam limpos ou se a aplicação for realizada em um local com chances de contaminação (ex: hospitais);

2. As insulinas NPH e as pré-misturas devem ser gentilmente homogeneizadas (misturadas) 20 vezes antes de cada aplicação, garantindo a ação da insulina;

3. Dicas para que a aplicação não seja dolorosa: aplicar a insulina à temperatura ambiente; se utilizar álcool na limpeza do local espere até que seque completamente; tentar utilizar uma nova agulha a cada aplicação;

4. Após a aplicação de insulinas com canetas, contar lentamente até 10 para retirada da agulha. Para doses maiores, pode ser necessário contar até 20 segundos, a fim de evitar perda de medicação. Esta recomendação não é necessária para aplicação com seringas.

5. As agulhas devem ser desconectadas imediatamente das canetas após aplicação (evitar obstrução e contaminação).

6. A insulina regular deve ser aplicada preferencialmente no abdômen para aumentar a taxa de absorção, enquanto a NPH deve ser aplicada, preferencialmente, nas coxas ou nas nádegas, para retardar a absorção e reduzir o risco de hipoglicemia.

COMPRIMENTO DA AGULHA:

  • Recentes estudos têm demonstrado que a espessura da pele no local da injeção em adultos com diabetes varia minimamente por características demográficas, incluindo IMC (por exemplo: pessoas obesas têm dimensões semelhantes as da pele de uma pessoa com peso normal ou baixo peso). Outro estudo sobre a espessura da epiderme indicou que a espessura máxima total é de aproximadamente 2,4 mm, independente do sexo, IMC, idade adulta ou origem étnica.

Recomendações para crianças e adolescentes:

· Canetas: agulhas de 4, 5 ou 6 mm.

· Seringas: agulhas de 8 mm (angulação de 45 o e prega cutânea).

Adultos (incluindo obesos)

· Canetas: 4, 5 e 6 mm
Agulha de 4 mm: ângulo de 90 o, prega dispensável se não for magro.
Agulha de 5 mm: ângulo de 90 o, prega dispensável se não for magro.
Agulha de 6 mm: ângulo de 90 o graus e prega cutânea necessária ou ângulo de 45o.

· Seringas: 8 mm (ângulo de 90 o graus e prega cutânea.
Se magro: ângulo de 45 o e prega cutânea)
Gestantes

· Sempre fazer a prega cutânea em qualquer local de aplicação

· Evitar o uso do abdômen como local de aplicação no ultimo trimestre de gestação

· Em pacientes magras é recomendada a utilização das nádegas como região para aplicação de insulina.

· Canetas: 5 mm (ângulo de 45o)

· Seringa: 8 mm (ângulo de 45o) – evitar o abdômen.

Essas novas recomendações reforçam a necessidade da técnica correta de aplicação de insulinas e necessidade de revisão periódica da mesma no processo educacional, na tentativa de se alcançar bom controle glicêmico.

Referência:

Frid A, Hirsch L, Gaspar R, Hicks D, Kreugel G, Liersch J, Letondeur C, Sauvanet JP, Tubiana-Rufi N, Strauss K; Scientific Advisory Board for the Third Injection Technique Workshop.

New injection recommendations for patients with diabetes. Diabetes Metab. 2010; 36 Suppl 2:S3-18. Review.

Cristiane Duarte Vieira

Enfermeira do Ambulatório de Diabeets Tipo 1 da Santa Casa de Belo Horizonte. Educadora em Diabetes.

Por: Cíntia Cuesta Carrasco de Lima – enfermeira do Centro BD de Educação em Diabetes

Com a realização do rodízio é possível prevenir deformidades no tecido subcutâneo. Essas deformidades prejudicam a absorção de insulina tornando-a lenta e irregular e com isso provocam alterações no níveis glicêmicos e hiperglicemia.

Orientações para o planejamento do rodízio:

  • considere o número de aplicações, horários, atividades diárias, exercícios físicos e profissão; organize as aplicações de insulina evitando as regiões que serão mais utilizadas em alguma atividade ou exercício físico, pois a insulina será absorvida mais rapidamente provocando primeiro hipoglicemia e posteriormente hiperglicemia. Ex. evite aplicar na coxa e andar de bicicleta;
  • divida as regiões em pequenas áreas com distância de 2 ou 3 dedos entre elas, conforme as ilustrações abaixo:

Locais de Aplicação de Insulina

  • a cada aplicação na mesma região, use um ponto diferente, só retorne no mesmo ponto após 14 dias, pois este é o período necessário para a cicatrização;
  • aproveite o momento da aplicação para apalpar a região, se você sentir algum ponto endurecido, não faça a aplicação no local até que volte ao normal.

Sugestões para o planejamento do rodízio de aplicações de insulina

Fonte: Revista BD Bom Dia. Edição 16, Setembro de 2010.

No decorrer dos anos ou das décadas, a hiperglicemia prolongada promove o desenvolvimento de lesões orgânicas extensas e irreversíveis, afetando os olhos, os rins, os nervos, os vasos grandes e pequenos, assim como a coagulação sanguínea. Os níveis de glicose sanguínea persistentemente elevados são tóxicos ao organismo por três mecanismos diferentes: mediante a promoção da glicação de proteínas, pela hiperosmolaridade e pelo aumento dos níveis de sorbitol dentro da célula.

Fonte: Posicionamentos SBD Janeiro/2009 – Sociedade Brasileira de Diabetes